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quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Até mesmo um pé de nabo tem alguma coisa boa"


Hormônios. Eles nos deixam estúpidos.

Acho garotos que ficam secando um desenho de uma mulher gostosa feito só pra chamar atenção, uma coisa ridícula.

Acho tosco meninas que dão escândalo porque viram um tanquinho no filme de Crepúsculo.

Mas, alguém diz, são os hormônios.

Da mesma maneira que hoje temos garotas se deformando de diversas maneiras pra serem percebidas e não ficarem pra trás, mulheres se submetiam aos espartilhos na era vitoriana.Pelo menos os espartilhos corrigiam a postura :D

Orra, esse até eu queria xD

Por outro lado, quantos garotos não admitem gostar de uma garota normal, e são zoados por conta disso? ... É... quantos?... alguém aí gosta de garotas normais? *procurando*

Pobres garotos com altura abaixo da média de 1,90 e garotas que tem uma silhueta incorrigivelmente cheinha em pontos específicos.

Li um dia desses por aí que uma garota de verdade nunca vai ser melhor que um desenho porque o desenho pode ser o que você quiser. E esses garotos e garotas também são meus alunos. Eles e elas tem dificuldade pra fazer atividade algumas vezes não porque são sem-vergonha (não todos xD) mas porque na cabeça deles “sabem” que nunca vão ser bons o suficiente, têm medo de tentar porque não querem errar, isso apenas provaria sua inutilidade, se acham burros e feios, acham que não vale a pena se esforçar pra serem melhores porque as pessoas das quais eles gostam estão preocupadas demais sonhando com padrões.

E o ciclo se repete, eles se refugiam nos padrões e se recusam a perceber ao redor as pessoas de verdade, cheias de falhas e cheias de vida.

O erro todo começa cedo. Começa em casa. Se um dia eu for mãe minha maior preocupação vai ser com a autoestima daquela criatura. Porque amar a si mesmo é muito tenso e difícil, mas recompensador. Como toda relação vão haver brigas homéricas, quebração de pratos e alguém sempre acaba dormindo no sofá.

Sentir-se confortável consigo mesmo é um luxo. A mudança é inerente a nós mas certos aspectos nos fazem ser o que somos de fato.

O que será isso aqui? Um post de auto-ajuda? Uma crítica? Uma revolução?

Acho que é só um desabafo de alguém que sempre cansa do Padrão.Não que eu também não tenha meus padrões preferidos, mas isso nunca foi um fator decisivo no quanto eu gosto das pessoas. E deusa, como é difícil gostar das pessoas...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Simplifica o raciocínio, criança

Se eu mencionar o estopim dessa súbita vontade de voltar a escrever... meu plano de Ensino do segundo trimestre, parece piada, daquelas bem ruins que só eu sei fazer. Estava lendo os objetivos da disciplina de Arte e me senti compelida como um lemingue procurando por comida.
Não, eles não cometem suicídio em massa.


Ointhibuthicutinhiooouummmm (Fofice Press 2010)

Então lá está escrito “Conhecer e reconhecer a Arte como manifestação brasileira” meu primeiro pensamento foi “WTF?”, eu já havia lido isso outras vezes mas agora a ficha caiu (de novo), tem acontecido uma série de cousas que me fazem refletir sobre essa necessidade doentia e sacal de autenticação da cultura e arte brasileira como sendo Arte de verdade.

Zorras, mas se arte e cultura podem ser consideradas como toda produção estética organizada que reflita o panorama social e cultural de um país (não comecemos a falar de carnaval, ok?) então nós temos Arte brasileira sim, ué, mesmo que isso acabe se restringindo às bandeirinhas do Volpi (que não era bem brasileiro) ou à Tarsila (que teve professores franceses) ou ao Portinari (que era filho de italianos) e sabemos que não se restringe.

Por outro lado, se o que eles querem dizer é que eu devo passar aos meus minions a ideia de que a Arte também é uma forma de manifestação cultural brasileira, esse negócio foi muito mal escrito. Parece vir daquela mania que o pessoal de humanas tem de florear tanto o discurso que a ideia mais importante acaba se perdendo e você precisa fazer aquela cara de que entendeu o que o cidadão quis dizer, como algumas obras de arte onde o artista descreve quinze laudas sobre a condição humana e a insustentável leveza do ser quando na verdade ele poderia ser supersincero e dizer “Fiz desse jeito porque fica agradável de olhar, não é bonito?”.


Kandinsky.

É, é sim, e isso basta

Voltando às escrituras

Então eu olhei pra minha barrinha do echofon com seus 140 caracteres limitadores e opressivos e pensei "Dane-se!".

Estou morando num apartamento maravilhosamente gelado na Capital do Figo Roxo, com uma chinchila podólotra e aproximadamente 400 alunos pra desvirtuar nos virtuosos caminhos da Arte.

Desenvolvendo sonhos amarrotados feitos de pliés, chutes e desenhos mal-pensados, desânimo e covardia. Fazer o quê, não dá pra fugir do que você é...

Por outro lado toda essa frescura some quando eu começo a fazer o que eu tenho que fazer, então mandei todas as neuras para os quintos e diabos, pensei eu, que comece a verborréia.



Alocs mey.