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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Do the Evolution

Sobre pessoas que fazem Arte

Essa semana meus alunos do 8º ano (antiga sétima série) terminaram o trabalho de Histórias em Quadrinhos. Pra minha "sorte" o tema compõe o Plano de Ensino da rede. Coloco essa sorte entre aspas principalmente por ser professora novata e sentir uma insegurança tremenda ao incluir algum tema que exija uma fuga do eixo aula expositiva-leitura-desenho.

Trabalhar com quadrinhos na aula de artes dá uma noção aos alunos de quão abrangente a própria disciplina pode e deve ser, incluir questões referentes a narrativa visual e construção de uma linguagem própria para o meio faz com que eles percebam como ocorre o processo de criação não apenas dos quadrinhos, mas também de outros processos artísticos.

A maior dificuldade esse ano (desenvolvi a atividade ano passado também, os resultados foram um pouco melhores apesar de ter sido a primeira vez) foi a criação de personagens. A maioria dos grupos se mostrou insegura/preguiçosa e sempre dava um jeitinho de "adaptar" desenhos e idéias de personagens já usados, no caso da preguiça, principalmente, o jeito foi baixar a nota.

Obstáculos a parte como feriados e jogos da Copa do Mundo, eles finalmente terminaram e entre sagas de vampiras adolescentes (vou dar um desconto, as meninas têm entre 13-15 anos xD), lutadores de artes marciais e super-heróis elementais ficam claras as vivências pessoais e gostos das diferentes turmas, mais ainda, a minha intervenção no sentido de elaboração e cuidado com a história desde o começo do ano pode não ter interferido diretamente na qualidade dos roteiros (ah esses benditos roteiros deram um trabaaalho @_@ ) mas interferiu na reflexão de muitos deles em relação a seus próprios gostos.

Estou sempre martelando pra eles que o interesse a respeito de nossas preferências nos faz refletir sobre os motivos de gostarmos de determinado assunto/música/história e conhecer mais a respeito de nós mesmos. Isso os deixa meio vidrados por estarem na idade da descoberta de si e os quadrinhos que saem como resultado expressam isso.

Houve uma euforia incrível pra reproduzir as capas de maneira fiel à de quadrinhos e mangás, com direito a código de barras, preço e editora, novamente com a minha orientação, mas sempre com algum toque inesperado (como a "Ed & Tora" do ano passado, fiquei orgulhosa do trocadalho :D ). Mais ainda, esse cuidado com detalhes demonstra que o trabalho pode e deve ser dividido entre os integrantes e não vai ficar só na mão de quem leva jeito pra desenhar.

Concluindo, o trabalho com quadrinhos em artes tem sido produtivo principalmente por possuir algo que o diretor da escola tem cobrado muito: o domínio do tema e da disciplina. Obviamente ainda há muito que eu posso evoluir, assim como sempre cobro dos alunos, mas ter segurança do que é desenvolvido transformou o trabalho de maneira gratificante para os próprios alunos.

Sem contar que é muito bom ouvir coisas como "Prô, eu nunca dei muita bola pra quadrinhos mas depois que a senhora passou isso eu comecei a ler umas coisas que eu achei lá em casa e nem sabia que era tão legal."

Essa menina encontrou alguns números das coleções Disney de uns 10 anos atrás e começou a ler... se não fosse tão necessário pagar meu aluguel eu até diria que esse é o verdadeiro pagamento do meu serviço :)

Um comentário:

Ashiya disse...

Você podia dar essa aula pra mim :P Seus alunos devem saber mais do assunto que eu hauehaueh

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